E se fôssemos monstros?

22 de janeiro de 2010




E se houvesse um lugar onde pudéssemos ser selvagens? E se pudéssemos fugir para esse lugar e fazer tudo o que quiséssemos, sem regras ou restrição?

O lugar existe na imaginação de Max (vivido pelo ator Max Records), um menino de 9 anos que se sente solitário e não sabe bem como controlar sua raiva. Os expectadores de “Onde vivem os monstros” (Where the wild things are - 2009) viajam com o garoto para essa terra sem limites.

Em uma noite fatídica, a mãe de Max (interpretada por Catherine Keener) leva o namorado para jantar em casa. É nesse momento que o garoto, em toda sua rebeldia de criança, tenta chamar a atenção da mãe para si. Sem muito sucesso, ele se fantasia de lobo e sobe à mesa da cozinha gritando “Mulher, alimente-me!”. O resultado da estripulia? O castigo de não jantar aquela noite. Max não reage bem à punição, morde a mãe e foge de casa. Ele corre até um matagal e entra em um veleiro mar adentro.

O menino-lobo aporta em uma ilha repleta de monstros. Com fotografia delicada e capacidade de mostrar as relações humanas no dia-a-dia de seres monstruosos, Spike Jonze consegue mais uma vez misturar realidade e ficção sem ser clichê.

Nos filmes “Adaptação” (2003) e “Quero ser John Malkovich” (1999) o diretor trabalhou angústias existenciais típicas de adultos. Com o lobinho Max, ele retrata uma infância cheia de criatividade para lidar com o drama da solidão. O filme é baseado em livro infanto-juvenil homônimo do escritor Maurice Sendak. O roteiro foi escrito por Dave Eggers e pelo próprio Spike.

Os monstros de Jonze são pitorescos - feios e bonitos ao mesmo tempo, todos com personalidades marcantes. Carol é o líder deles e tem uma agressividade aflorada (alter ego do próprio Max). KW é muito dócil e tem vontade de mudar o mundo em que vive. Já Judith é uma monstra rabugenta, vive reclamando mesmo sem motivo.

E se as características humanas dos monstros não forem suficientes para fazer você gostar do filme, afinal "Onde vivem os monstros" foge mesmo do convencional, vale lembrar que a trilha sonora de Karen O, cantora sul coreana, marcada pela mensagem de que tudo é amor (All is Love) impressiona e dá o tom certo de fantasia e solidão de Max.

Mesmo sendo baseado em uma história infantil, o filme tem uma atmosfera muito melancólica, que pode não agradar aos mais jovens. Um enredo envolvente, engraçado, triste, feio e bonito, tudo ao mesmo tempo. É, no mínimo, uma história marcante. Nota máxima para a capacidade de Spike Jonze transformar algo tão fantasioso em um retrato de realidade.

2 comentários:

leonomura 25 fevereiro, 2010 10:16  

Acho que já vi essa história em algum lugar...alguma livraria?
Não sei...mas o enredo era bem parecido com esse!
hehehe

cidadã metropolitana 26 fevereiro, 2010 13:59  

hahaha!! agora vc leu meu blog! hahaha! bjs

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