Pocket-balada

21 de fevereiro de 2010


Como descrever a última sexta-feira? Paulistana ao extremo! Impossível não gostar, foi um mix de sensações diferentes.

Um dia de muito trabalho como costumo ter nas sextas-feiras. Saí depois das 20h. Meio adoentada, achei que ia ficar em casa. Mas tomei coragem e fui parar no sambódromo, tinha um convite para entrar em um camarote, só um, tudo programado para ter uma noite do tipo bloco moi avec moi-même.

Desci na estação Tietê e depois peguei a ponte-orca. Sentei ao lado da Vanessa (uma simpática mulher gorda que vende coxinhas no centro da cidade e não perde o desfile paulistano por nada). Ela puxou conversa, perguntou se eu tinha convite para entrar e depois me contou indignada que uma vez comprou ingresso de um cambista, o ingresso era falso (jura?) e a coitada teve de comprar outro ingresso. No final da história ela ficou sem dinheiro para comer uma noite de carnaval inteira.

Chegamos nos portões do sambódromo. Coloquei a camiseta do camarote e fui andando. O tal do camarote dava direito a customização de camisetas, pista de dança, comidas variadas, bebida à vontade (lembrei da pobre Vanessa). Tinha ainda ilha de massagem, cabeleireiro, e claro, uma vista para o Anhembi e o desfile das escolas campeãs.

Passei boa parte da noite sozinha, sambando a la paulista, entendendo meus sentimentos confusos, tentando me encontrar nesta cidade louca. Foi aí que me lembrei de dois bons amigos que com certeza estariam na balada e mudei de planos – da Sapucaí paulistana para a Augusta brasiliense.

O itinerário deles era o “Estadão”. Pensei, ué, mas o jornal não fica no Limão? Esse povo vai dar plantão? Dei boas risadas quando descobri que os meninos iam para o bar Estadão, que tem um dos mais tradicionais lanches de pernil da cidade(preciso comentar que paulista não sabe que existem outros lanches além de sanduiches...) e uma coxinha famosa (lembrei da Vanessa de novo).

Encontrei com eles no meio do caminho, na altura da Gomide. Dois brasilienses, uma carioca, dois gaúchos e um paulistano nato, nosso guia de noitada. Um pouco depois disso o paulista indica um boteco bem pé sujo pra gente entrar e... PLIM! De repente, vira uma balada! Do nada! Quero dizer, você entra, fica desconfiado que é um prostíbulo (afinal, estamos na Augusta de madrugada), dá mais um passo e pronto, tem uma galera dançando música eletrônica. Um dos meninos definiu o espaço (0800) como uma espécie de pocket-balada, ou seja, cabe no bolso e é divertida.

Já na lanchonete, os meninos comeram a tal da coxinha e o sanduíche de pernil. Ficamos falando de nossa vida semi-paulistana e a noite terminou ao descermos uma escadinha embaixo do Diário de S. Paulo. Era uma balada trash, ou melhor, underground, com luz negra, um povo com cara de doidão e um reggae muito ruinzinho. Diz o paulistano que lá estava miadinho. Miado ou não, resolvemos sair e esperar o metrô abrir, afinal faltava dez minutos para isso. Ainda conversamos mais meia hora sobre a campus party e uma cidadela no interior de Minas que só começou a ter eletricidade em 2009, praticamente o negativo de São Paulo...

Depois enfrentamos um metrô lotado de trabalhadores. É incrível o choque diário de realidade que existe por aqui, basta querer ver. 5 da manhã e as pessoas lotam metrôs para trabalhar em pleno sábado. A cidade não para mesmo.

Tudo aqui pulsa rapidamente e eu posso dizer que tive uma das noites mais paulistanas da minha vida. Uma noite dessas é praticamente impossível de se repetir.

4 comentários:

Roger 22 fevereiro, 2010 11:04  

o paulistano da gema era um japa moreno que eu conheço?! hahahahaha
Seus textos são bem legais.... vc escreve mto bem. Pena que torce pro Fogão. :)

Camila Santana 26 fevereiro, 2010 10:59  

Lulu! Adorei o blog! Fiquei com inveja da vida paulistana... Bsb é parada demais para o meu espírito! Rs

cidadã metropolitana 26 fevereiro, 2010 13:54  

Hahahaha! Não era o Bubu, era um outro paulistano! Que bom que gostou Roger, venha sempre! E torcer para o botafogo não é pena, viu?

cidadã metropolitana 26 fevereiro, 2010 13:55  

Camilinha! Fica com inveja não, vem pra cá que a gente sai!! Vai ser bom demais! Bjs

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