Pedacinho carioca

19 de abril de 2010


Estou com uma estúpida saudade do Rio. Estúpida porque não dá pra matar. E tudo isso porque Pinheiros me lembra a Guanabara.

Meu Rio de Janeiro... Hoje queria poder caminhar na Rua Pereira da Silva até o Largo do Machado. Chegando lá, saudaria um bom número de pessoas vestindo a camisa do meu time ou quem sabe iria até uma banca só para ver o pôster do glorioso time da estrela solitária. E comentaria: 'puxa, que foto linda' mesmo com a pose cafona dos jogadores, só por amor ao futebol.

Queria comer sanduíche no Cervantes com Denis Matos, Bruno Barão e Naninha Trapicheira, lá pelas cinco da matina. E sentir o cheiro de livro velho na biblioteca da FND, em época que eu acreditava no CACO e passeava pelo Saara.

Estou com aquela vontade de encontrar meu primo que mora nas Laranjeiras com seu all star super azul, para botar o papo em dia e nadar no play.

Tenho um desejo de mais tardes regadas a mate gelado e sol de rachar. Com direito a pão de queijo e recital de poesia na Rua Inhangá. Poderia só mais uma vez encher as paredes de casa com réplicas do magnífico J. Carlos? E comprar temperos de tonel, com aquele cheiro gostoso de pimenta dos armazéns?

Ai, como gostaria de ouvir o seu Madruga gritando “Carteirinha na mão, carteirinha na mão”! Segunda-feira era dia de Hino no Bennett: “Alma mater, seu hino de glória, seja audaz, juvenil, triunfal...”

Hoje eu queria sair do trabalho e comer quindim de camisola lá na confeitaria Colombo. Tudo bem! Está floreado este texto, estou me sentindo com o estilo do Casimiro de Abreu e seus oito anos! Até parei com a sessão nostalgia.

O fato é que tenho feito em minha mente maluca uma associação entre Pinheiros e Copacabana. Deve ser delírio de tanto aspirar poluição...

Quando falei disso aos amigos paulistanos, o riso comeu solto. Mas juro, vejo uma bizarra semelhança entre a Teodoro Sampaio e a Nossa Senhora de Copacabana, assim como acho que a Cardeal Arcoverde parece com a Barata Ribeiro. O mesmo buchicho, aqueles muitos ônibus em uma rua apertada, a facilidade de ter tudo naquelas ruas. Sei lá. Pinheiros parece que tem outro ritmo, diferente do resto da cidade do impossível.

Ok! São dois mundos completamente distintos, mas um vai sempre me remeter ao outro. Só deixo a Atlântica sublime e intocável, cheia de pivetes e camelôs durante o dia e suas prostitutas na noite alta. O oposto da feia, porém útil e bem mais segura, Avenida Rebouças.

E ninguém ouse me tirar esta associação improvável! Afinal de contas, eu encontrei meu pedacinho carioca no coração paulistano. Nada mais justo para uma candanga.

4 comentários:

Anônimo,  21 abril, 2010 12:59  

que saudosista! sensaçãozinha mazo. fique bem!

cidadã metropolitana 27 abril, 2010 02:06  

O que é sensaçãozinha mazo?

To bem! E sou saudosista mesmo, viu?

Abs!

pedreco 27 abril, 2010 17:08  

EM Laranjeiras, nunca "nas"! Não ouse plantar artigos inexistentes no meu bairro querido. Plante só mangueiras - curiosamente, a árvore mais comum, mas que não lhe dá nome - e sementes de saudade. Por lá, elas sempre florescem.

cidadã metropolitana 13 maio, 2010 14:14  

Cadê a licença poética? Hahaha! Mantenho o artigo porque vivemos em um país democrático!

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