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Um vício para chamar de meu

23 de março de 2011



Tudo começou quando cheguei a São Paulo. Em qualquer lugar que eu ia alguém me oferecia. Era até ostensivo. Estava por toda parte. Comecei a pensar esporadicamente na ideia, mas depois o pensamento cresceu, não queria mais sair da minha cabeça. Comecei a ignorar a oferta tentadora. Neguei o quanto pude. Achei que assim poderia me livrar. Sabia que aquele era um caminho provavelmente sem volta.

Toda vez que tinha vontade de usar, mudava de pensamento. Procurei alternativas. Não conseguia mais evitar. Resolvi parar de me preocupar com o pensar, era só esquecer o assunto e não teria mais problemas.

Eis que em um domingo qualquer, quando estava prestes a pedir o meu já tradicional Mocha Branco, soltei um “meu!”, assim sem pensar. Fiquei desesperada, pus a mão à boca. Comentei com uma amiga que era a primeira vez que usava aquela viciante gíria paulistana. Ela exclamou: “Seu primeiro meu? Parabéns! Dá aqui um abraço.”

Fiquei sem graça. Afinal, falar “meu” é feio. Aliás, horroroso é mais apropriado. Não vejo como isso merece congratulação. Só falei uma vez, juro! Mas maculei minha alma carioca, sei. É que isso vicia. Em minha defesa alego que há mais de dois anos sou obrigada a ouvir essa gíria diariamente.

Enfim, agora posso me considerar nativa na língua paulistana, meu! Hoje mesmo falei que ia almoçar um lanche. Essa praga que os paulistanos usam para definir sanduíche também saiu sem pensar, o que só piora para o meu lado. Acho que não tenho mais salvação. Paciência.

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10 coisas tipicamente paulistas

26 de agosto de 2010

1) Influência italiana: a Pizza por metro (uma boa é a do Restaurante Graminha da Vila Madalena) é um bom exemplo. Assim como a Festa da Achiropita todo mês de agosto. Deus salve os italianos que vieram para cá;


2) A expressão Imagina!: experimente agradecer alguma coisa para um paulistano contente. A resposta instantânea é (i)Magina! Cuidado que essa frase pega. Se você não é daqui, em poucos dias vai sair por aí dizendo magina para as pessoas;

3) Bom descanso! É outra expressão bem paulistana. Essa eu adoro. Você trabalha o dia todo como um corno, no final do dia está com aquela cara de bagaço, aí o guardinha do prédio, o cobrador de ônibus e até o padeiro vão dizer: Bom descanso! Um bálsamo ouvir isso depois de um dia cheio e convenhamos, descanso é artigo de luxo nessa cidade;

4) Bala Pinho Campos do Jordão (também conhecida como balinha de sinal ou de metrô, jujuba de menta ou Valda genérica): Uma balinha ruim, molenga e esquisita, mas que vende como água em tudo que é semáforo;


5) Mostra Internacional de Cinema: Preciso comentar? Não vejo a hora de outubro chegar com a 34ª;

6) Modificar o sentido das palavras: paulista tem mania de chamar sanduíche de lanche, reduzindo todo o universo de uma palavra genérica como essa (que, aliás, tem sua raiz no inglês lunch, que significa almoço), café pingado de média e semáforo de farol, só citando alguns exemplos.

Experimenta passar numa padoca que você vai ver a plaquinha: “Temos lanche de metro”. Isso quando você não vai à praia e escuta: “Olha o lanche natural!”Triste mesmo quando se escuta: “Qual o lanche que vai querer? Cheeseburrrrguerrrr ou hamburrguerrrr?”. ô coisa irritante!

7) Padocas: por falar em lanche e padaria, as padocas (sim, padaria tem esse nome por aqui) paulistas são as melhores do Brasil. Fato delicioso! Quando passar na cidade do impossível aproveite para pedir o Bauru, um clássico! A Bella Paulista fica no coração da cidade e é 24h.

8) “De segunda”: paulista adora a preposição de antes de um dia da semana. Como irrita o: “De domingo vou treinar na academia”. Tem “de” de sobra na boca do povo.

9)Cumprimento rápido: O exagero com o “de” não se reflete nos beijos. Aqui se economiza beijos no cumprimento. É só um e olhe lá! Paulista tem pressa e não perde tempo com essas bobagens. Está na hora de começar a campanha: dê uma pausa, dê dois beijinhos!



10) Vingança: esta última é uma provocação, mas é também uma observação empírica. Homem paulistano adora mulher carioca. A cisma do paulistano médio é tão grande com o Rio de Janeiro que eles têm certo fetiche com as cariocas. É como se finalmente pudessem atingir os cariocas. “Ok meu, você tem a praia, o sol, a beleza, mas a carioca é minha, se f...!” E olha que os cariocas não gostam mesmo, sempre que sabem de um casal estilo ponte-aérea soltam um: “Tá namorando um paulista? Ah não! Agora fiquei bolado.”

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Fênix

27 de março de 2010


"Nossa Senhora de Aparecida" - Ronaldo Mendes


Hoje fui à igreja São Luís. Aquela que você acha bizarra, no fim da Paulista, sabe? Lembrei de você. Sempre lembro. Lembro do dia que soube que você estava com um nódulo no pescoço. Eu ainda não morava aqui e você ainda não morava na Suíça.

Mas eu estava na Consolação e entrei justamente nesta igreja, pedi a São Luís que lhe curasse. Fiz mil promessas pra ele e pra Nossa Senhora. Até Cururupu eu prometi conhecer. E ainda devo uma missa pra eles na cidade de São Luís do Maranhão. Tudo por sua causa.

As promessas valeram.

Mas você precisava estar tão longe de mim? Por que foi mesmo que eu deixei você partir? Devia ter concordado com seus pais, nada de ir morar tão longe. É que eu achava que seria bom para você. E não foi? Para seu crescimento, desenvolvimento, relacionamentos, mas, na verdade, pra mim (com o perdão da rima fraca) é um tormento. E que coisa mais feia não me responder os e-mails, até parece que não sente minha falta. Eu sei que sente.

Menina mal criada! E eu sinto tanta a sua falta que fico com vontade de ir à nossa cidade, só pra ver se consigo sentir você mais perto de mim. São Sebastião que a proteja, minha pequena.

Tudo o que eu mais quero na vida é que você seja feliz, sem nódulos (já combinei tudo com São Luís e Santa Maria) e que, bom, morando em Genebra ou em Santa Catarina você mande um e-mailzinho só de vez em quando para eu saber que está tudo bem, pode ser?

Por que saudade é assim? A gente mata, ela renasce. Parece fênix. Que coisa! Foi por causa dela que eu resolvi escrever. To tentando enrolar a danada, mas ela é bem mais esperta que eu, confesso. Depois deste texto estou com mais saudade ainda de você.

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