Ciao Belas!

18 de março de 2011

Parece impossível, mas acabou. Não terei mais pipocas com essência de manteiga, nem aulas de dança vistas da janela. Hoje fui à última sessão do Belas Artes. O clima de Adeus era visível.

Ao chegar às 21h20, só tinha lugar para ver a comédia “No tempo do Onça”(EUA, Charles Riesner - 1940). Fiquei feliz de ainda ter ingressos à venda. Mas na verdade queria muito assitir o filme “O joelho de Claire” (França, Eric Rohmer - 1970) porque a película já tinha um significado especial para mim. O filme francês passaria na sala 4 – Aleijadinho. Tomei coragem e pedi na cara de pau para entrar. Consegui. Foi até fácil. Acho que foi meu charme carioca ou a complacência do moço da entrada, ele sabia que aquela era uma despedida.

O fato é que a partir de hoje um pedacinho do que eu e tantas outras pessoas vivemos em São Paulo é passado. Sabe o que o Totó sente quando vê que o cinema Paradiso não existe mais? Acho que finalmente entendi.

Dei adeus ao Belas Artes, torço para que seja um breve até logo. Pelo menos posso dizer que já faço parte da história da cidade do impossível.


Trailer do filme Nuovo Cinema Paradiso (Itália, Giuseppe Tornatore - 1988) Um dos melhores filmes que já vi

Read more...

Confete paulistano

9 de março de 2011

Carnaval de Arlequim - Joan Miró

A pipa do vovô não é mais a mesma. Nem o carnaval paulistano. Enquanto escrevo esse texto, tem um monte de foliões aqui embaixo. Estou no coração da cidade do impossível e amanhã é quarta-feira de cinzas. Quase todo mundo vai trabalhar. Mas e daí? Quem diz que em São Paulo não tem carnaval certamente não conhece essa cidade.

São Paulo tem muita folia sim. Se você ficou por aqui e não aproveitou as festas, admita, foi porque não quis. É isso mesmo. Assim como o vovô moderno hoje pode tomar um remedinho da felicidade e alegrar a vovó nos dias de feriado, foi-se o tempo em que você não poderia curtir um sambinha na cidade do impossível. Em 211, você poderia ir atrás do bloco do Minhocão (que não tem nada a ver com a pipa do vovô, hein?) ou poderia ir à Praça Benedito Calixto. essa praça anda mais lotada que nos dias de feira! Isso sem falar do Carnaval da Vila, o bloco da Alameda Santos e outros tantos.

Calma! Não vou falar de todas as possibilidades que você perdeu por aqui. E antes de me xingar por só postar esse texto hoje, deixo algumas dicas da ressaca do carnaval. Ainda dá pra aproveitar:

Na quinta, de acordo com o R7, tem a ressaca paulistana no Camarote da Brahma no Anhembi.

Na próxima sexta, tem o desfile das campeãs, também no Anhembi. Fui ano passado, é bem animado! Os ingressos você pode comprar no ingressofacil.com. A Folha tem uma matéria sobre o assunto.

O Bar Brahma também é sempre uma boa pedida de samba na cidade, mas prepare o bolso, não é muito barato. Que tal no próximo sábado? A Vai-Vai toca lá 2h da manhã e antes disso tem Baile de Carnaval. Dá uma olhada no site.

Se ainda estiver no pique, tem Gambiarra no domingo dia 13 – essa festa super animada sempre tem um clima de carnaval. Quem já foi sabe do que falo. http://www.gambiarraafesta.com.br/

Quantas vezes não ouvi “Carnaval em São Paulo? Impossível!” Provado que isso não passa de uma lenda! Mas vamos combinar, de todas as marchinhas de carnaval, a que mais combina com o espírito da cidade é sem dúvida: “Ei, você aí! Me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí! :)

Read more...

Procura-se um namorado

15 de fevereiro de 2011

Precisa ser bem carinhoso, de preferência à moda antiga. Pode levar flores quando quiser. Cartinhas de amor são indispensáveis. Tem de adorar poesia. Ah! Não pode escorregar no português. Há de ser castiço como o do Maranhão. Aliás, precisa adorar conversar. E não pode ser nem um pouco fofoqueiro.


Foto de Henry Cartier Bresson

Romantismo é indispensável. Serenatas estão liberadas. O pretendente mora em Copacabana? Melhor ainda. Ela também. Mas aceita paulista, alagoano, mineiro, gaúcho. Até estrangeiro! Desde que seja carinhoso. Gostar de viajar é um diferencial. Faz-se necessário que ele aprecie passear de mão dada na praia. Cai bem adorar sol, festa, alegria. Gente deprimida? Nem apresente!

Quem procura? Uma senhora de 77 anos, cadeirante, viúva, moradora da Rua Inhangá. O brilho nos olhos dela e sua vontade de viver inspiram qualquer um. É cheirosa, está sempre com as unhas pintadas, muito vaidosa. É bonita, adora música brasileira e tem uma leve tendência socialista (coitada!).

É uma lição de vida. Uma senhorinha que não se importa com as próprias rugas ou com a dificuldade de locomoção. Nada disso é limitação. Bem diferente de certos jovens, encanados com suas espinhas na cara ou com seu corpo um, pouco diferente do da modelo da revista.

Não é mesmo divino pensar que o amor não tem nada a ver com idade ou tipo físico? Amar é simplesmente escolher. Essa vovó escolheu que podia ter um namorado, amar de novo. Não importa mais nada. Importa? Quem conhecer um pretendente, favor avise.

Read more...

Luisa na cidade do impossível

27 de janeiro de 2011


Cheguei em casa para escrever um texto completamente diferente, mas lembrei de um sonho antigo. Quando menina sempre quis ter um castelo. Lembro de falar disso com meus pais e irmã. Era um dos meus sonhos mais fortes. Nunca quis um príncipe num palácio, eu queria era um castelo para fazer um hotel de luxo.

Lembro até de um diálogo: Não, não quero que um príncipe me dê um castelo, quero comprar um pra mim! A realidade era sempre: “Faz ideia do preço de um castelo?” No que respondia sem titubear: Serei rica.

Hoje ainda não tenho muita noção de quanto custa um castelo, mas acho que com a profissão que escolhi, no máximo, depois dos 50 anos consigo comprar uma pousadinha mixuruca em Cabo Frio.

Aqui entre nós, príncipes são chatos. Eles são clichê demais para uma menina (ou uma geração?) que queria ter um negócio lucrativo desde os sete anos e cuja personagem favorita era Alice no país das maravilhas.

É, confesso, não era muito fã da boring cinderela que ficava lá a espera de um príncipe para salvá-la (gente, tem de ser mais proativa, alô!) ou da vagal da bela adormecida que preferia tirar uma soneca a aproveitar a vida. E a Jasmine comunista a la Stalin? A menina tinha muito preconceito com gente rica, mas morava no maior bem-bom. Assim até eu. Ah! Não vou nem falar da nerd da Branca de Neve que só tinha amigo bicho até os anões ficarem com pena, né? A burrinha ainda aceitou comida de estranhos, tão amadora...


Jasmine, minha primeira decepção com comunistas...

Heroína mesmo é uma moleca que vai atrás do que quer (um coelho branco?), tem como guru uma lagarta, quase cai na lábia de um gato safado, fica amiga de uns pancadas que tomam chá e em busca de seu sonho briga até com uma rainha louca. Pra completar ainda se apaixona por um chapeleiro maluco. Isso é que ser ousada.

Ué! Sabe que agora entendi meu gosto por homens esquisitos? Nada como autoanálise.

Mas, voltando ao assunto anterior, alguém aí tem um castelo sobrando? Aceito doações. Mas não vale de cartas, hein?




Trailer do filme original (em inglês).

Read more...

Bem-me-quer

26 de janeiro de 2011


Eu gosto de você. Calma! Gosto de você só um pouco. Na nossa geração gostar demais é cafona, chato, sem graça. Não gosto muito da nossa geração. Mas gosto de você. Acho que é porque você não me cobra explicações, aparece sem espinhos, some quando sabe que estou prestes a me apaixonar. Você não é tolo para me deixar apaixonada. Estragaria tudo, não é mesmo?

Gosto de você porque existe sempre aquela tensão sexual, aquela promessa velada de noite libertina. Gosto de você porque você gosta do jogo, não faz esforço, não se importa demais, mas está sempre por ali, meio mineirinho, mesmo sem ser da terra de Juscelino.

Eu adoro como você fica com ciúmes dos outros caras quando eles dão em cima de mim. Gosto ainda mais quando você disfarça o desconforto, adoro provocá-lo. Sim, sou um pouco sádica. Mas veja, não temos absolutamente nada, como pode se chatear com isso? Não é você avesso a compromissos? Mas quem precisa de rótulos? É uma escolha nossa. Ironia existir um nós nesse caso, não? Adoro isso. Rio quando meus amigos dizem: “Quem? Aquele cara? Ele é louco por você. Tá na cara.”

Você é louco por mim, eu gosto disso. Adoro o fato de você não querer aceitar isso. Você sempre me faz dar boas risadas. Sabe, acho você engraçado. Gosto de você não conseguir se afastar o suficiente para me esquecer. Eu não quero mesmo que você me esqueça. Eu quero você completamente apaixonado por mim. Sim, sou ambiciosa. Que mulher não quer um homem bonito, solteiro e bem-sucedido aos seus pés? Eu quero. Provoco. Preciso. Gosto. É uma questão de ego, claro. Tenho só uma quedinha (e olhe lá!) por você, já disse.

Read more...

Por uma loja a menos em São Paulo

7 de janeiro de 2011



A notícia do fechamento do Belas Artes me balançou. Se eu tinha um traço paulistano, ele estava vinculado a este cinema. Ali descobri minha paixão pela sétima arte. Para mim e muitos paulistanos aquele é um pedaço da história da cidade.

Soube que o estabelecimento é alugado e aparentemente o dono do imóvel quer o espaço de volta para montar uma reles loja. Parece surreal pensar nisso. Depois de 68 anos, ali é um espaço alugado? O locatário não percebe o quanto o cinema é histórico e valioso? Sou contra pessoas que não se preocupam com a história. Imaginem quantas pessoas tiveram momentos de vida únicos naquele prédio com constante odor de pipoca amanteigada. Só eu tive vários.



Por exemplo, lembro bem de uma briga séria lá no segundo andar. Na hora olhei pela janela e vi algumas pessoas dançando do outro lado da rua. Pensei como preferia estar naquela aula de tango. Sentei no banco de mosaico preto, estava gelado. Chorei. Eu ainda nem morava em São Paulo, mas ali começava minha relação com o mais paulistas dos cinemas de rua. Já assisti a tantos filmes naquele lugar, posso me considerar um pouco mais culta por causa dele.

No Belas Artes tomei coragem de assistir um filme sozinha pela primeira vez e para minha surpresa, no meio da sessão, fiz uma amiga. Era uma senhorinha chocada com a animação que passava na tela. Ela precisava desabafar. Eu defendi o desenho. Demos algumas risadas juntas. Não consigo lembrar o nome do filme, mas contava a história de uma Branca de Neve cansada do abusado príncipe encantado. Ao final, a vovozinha me deu dicas sobre cinemas paulistanos, dicas usadas até hoje.

Naquele cinema marquei um encontro com uma das maiores e mais rápidas paixões da minha vida. Era nosso segundo filme juntos. Eu estava muito nervosa, com o pensamento tolo de que ele talvez não gostasse de mim. Naquele momento ainda não tínhamos nada, só a paixão. No meio da sessão, a barriga dele começou a fazer muito barulho. Eu fiquei tão desesperada, achei que o coitado estava com algum sério problema intestinal. Nosso encontro tinha fracassado. Eu não iria fazer mais nada com uma pessoa cuja barriga se comunicava daquela maneira. Só muito tempo depois entendi. Ele estava ainda mais nervoso que eu.

Também no Belas Artes cheguei a um dos momentos mais patéticos da minha vida. Resolvi ir ao cinema depois de um dia de trabalho. Mas saí correndo da fila ao ver esse mesmo homem, meses após o nosso rompimento. Depois de perceber quão ridícula era minha atitude decidi voltar e ele não estava mais ali. Agradeci. Achei bem digno da parte dele desaparecer naquele dia depois de ter desaparecido da minha vida sem a menor explicação.


Trailer Coco antes de Chanel


No mesmo dia, resolvi ver o filme da Chanel para relaxar e eis que um cruel colega de faculdade (com sua respectiva namorada) me encontra e diz: “Nossa! Você vem ao cinema sozinha? Estranho! Não tinha nenhuma amiga para chamar?” Educado como uma porta o cara.

Sabe, é engraçada minha relação com aquelas salas. Villa-Lobos, Carmem Miranda... Aqui só estou contado os causos de amor. Mas tenho outros. E quando achava que minha história amorosa com o cinema tinha acabado, recebo um convite casual para assistir um filme do Scorsese em uma tarde de um sábado pouco importante. O filme é tão bom e chocante, fiquei fora de órbita por uma meia hora depois dele. E com uma pessoa completamente inesperada na minha vida, aquela foi uma das melhores sessões que o Bela me proporcionou. Até rendeu um texto publicado aqui.


Trailer "Ilha do medo"


Pensar que tudo isso e tantas outras ótimas histórias vão virar uma loja... Hoje eu queria ter nascido paulistana só para ter um milhão de outros contos meus sobre o moribundo cinema e seus 68 anos. Ao menos teria aproveitado mais o lugar.

De verdade, eu não quero ir ao mega blox 3D de um shopping. Eu quero o Belas Artes. Quero ver outros filmes do Alain Resnais lá! Quero a bossa paulistana com direito a cine clube. Adoro o lugar. Gosto mais de lá que do Ibirapuera e do Conjunto Nacional. Mais até que da Paulista ou da Praça Benedito Calixto. Ouso dizer, acho o Belas Artes mais paulistano que o pico do Jaraguá.

Por favor, é um apelo dramático e talvez impossível... Não fechem o Belas Artes. Proprietário, não abra uma loja ali. Não aborte histórias de amor nascidas na Cândido Portinari ou na Mário de Andrade.

Olha a minha sugestão: os apaixonados pelo Belas Artes dão uma quantia (não muito grande) de dinheiro. Dividimos o cinema por metros quadrados. Fazemos cotas ou lotes dos metros e todos seremos donos. Assim compramos o espaço do insensível. Isto é, ele precisa querer vender. Mas diz a máxima: todo homem tem seu preço. Depois doamos o prédio ao cinema e pronto! Mas antes, tombamos o lugar como patrimônio cultural de São Paulo e do Brasil. Falamos com o IPHAN! Vamos salvar o mais charmoso dos (poucos) cinemas de rua da cidade.

Read more...

Receita de amor perdido

17 de dezembro de 2010

Quando o amor acabar, saia por aí e tome todas. Telefone para os amigos, fale que está desesperado, que não sabe o que fazer. Chame os solteiros que deixou de lado por causa daquele amor idiota. Peça desculpa a eles. Chore todas as mágoas, durma abraçada com uma amiga que insiste em consolá-la dizendo que o amor não acabou. Passe noites em claro.

Fale para o mundo que está bem, que o amor acabou, mas você ainda está vivo. Perca a fome ou a forma. Sinta o vazio na barriga e finja que é dor de estômago. Sabemos você e eu que a dor é outra e que era preferível um milhão de vezes que fosse gastrite.

Beije outros, outras, ria, divirta-se. Ok! Chore mais se for preciso. Pense nos planos que fizeram juntos, nesse momento talvez o mundo se despedace aos seus pés. Sinta-se idiota por planejar um futuro com aquela pessoa. Saiba-se idiota. Você é idiota. Como foi capaz de deixar um amor acabar? Só um imbecil faz isso.



Calma! Depois disso tudo, reaprenda a se respeitar. Não é só culpa sua, oras! Tem o outro. Aquele cretino. Tenha raiva dele. Internamente envergonhe-se de ter raiva dela. Tudo bem, o que importa? Os sentimentos estão mesmo confusos. Diga para si mesmo o quanto você é maravilhoso e o quanto seu amor é burro. Reconheça-se. Lembre-se de como você adorava bala de canela e não podia comer só porque aquele chato não gostava. Ria de você e dele. Vingue-se! Compre uma caixa de balas, empanturre-se delas.

Aí perceba que nem gostava tanto assim de bala de canela quanto gostava dele. Tenha frio na barriga toda vez que for àquele bar que iam juntos na Vila Madalena. Ah! Fuja correndo do Belas Artes ao vê-lo na fila da bilheteria justo no dia que seu cabelo resolveu não colaborar. Não tem problema. O amor tem um quê de ridículo.



Você ainda vai ter vontade de ligar para ela depois de um dia difícil. Vai se sentir sozinho no domingo. Vai sofrer um pouquinho naquele dia especial. Lembrará-se dela quando vir a Audrey Hepburn na TV a cabo. Mandará uma mensagem de amor perdida ao ouvir “Something” do George Harrison. Mas o tempo vai passar.



Uma hora vai chegar à improvável conclusão de que o amor acabou mesmo. Sua vida continuará. As lembranças doerão menos. O relógio, meu caro, faz a mágoa, a raiva, o tédio, o vazio, tudo passar.

Descanse dos sentimentos tristes. Insisto, veja os amigos novos e os antigos. Amigos são amores bem resolvidos. Não precisam de sexo e quase nunca sentem ciúmes. Recomendo também que fale com sua família. É impressionante quão bem aquelas pessoas o conhecem e o amam.

Respire fundo. Sinta-se leve como há muito tempo não sentia. Apaixone-se brevemente no metrô. Volte a flertar. Anime-se quando aquela nova deusa aceitar sair com você!

De repente entenderá que o amor não acaba, afinal isso é impossível. Ele transforma-se. A transformação permite você seguir em frente. No fundo você sempre soube que aquele era um amor para prepará-lo ao próximo. O próximo sempre chega.

Read more...

  © Blogger template Noblarum by Ourblogtemplates.com 2009

Back to TOP